Miss Imperfeita - o que toda a mulher deveria ser!

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Miss Imperfeita - o que toda a mulher deveria ser!

Mensagem por Sam em Sab Ago 30, 2008 7:05 am

(Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do Jornal 'O Globo')'

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível,
me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer como boa profissional,
mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias,
ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições,
levo os filhos no colégio e busco,
almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites,
procuro minhas amigas, namoro, viajo,
vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails,
faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa,
providencio os consertos domésticos,
participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo
dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram
é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.
E se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta,
não é topar qualquer projeto por dinheiro,
não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é
consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada
e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto
ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000,
não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana
para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa,
espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado
(ok, esqueça o rosto lavado)
podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é,
afinal, uma vida interessante'.

Sam

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Re: Miss Imperfeita - o que toda a mulher deveria ser!

Mensagem por Iris em Sab Jan 10, 2009 3:41 pm

Como me revejo neste texto, hà muito que o admito que trabalho de mais, que ando em stress de mais, q sou politicamente correcta devido à minha profissão e ao meio social em que estou inserida e a todos os "fretes", que tenho que fazer para manter tudo o que consegui construir, mas muitas vezes me pergunto para quê? A vida são dois dias e um já foi e eu acabo de não ter tempo sequer para, parar e olhar à minha volta de passear junto a praia e apanhar a brisa na cara, isso sim é qualidade de vida!!!
É sempre bom ler textos destes. É muito real e conheço bem essa realidade

Iris

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