Não é breve, mas é lindo!

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Não é breve, mas é lindo!

Mensagem por Palavra de Condão em Seg Jun 30, 2008 8:34 am

A violeta pretensiosa

Num jardim isolado, achava-se uma violeta bela e perfumada, que sempre viveu prazeirosa no meio de suas colegas, balançando-se livremente entre os caules das ervas.

Certa manhã, coroada pelo sereno, levantou a cabecinha e olhou em derredor: viu uma rosa que se elevava ao alto, talhe esbelto, cabeça erguida e orgulhosa, lembrando uma pequena flama de fogo sobre um candeeiro esmeraldino.

A violeta abriu então sua boquinha azulada e disse, suspirando:

- Como é inditosa a minha sorte entre as ervas aromáticas, e como modesta é a minha situação entre as florezinhas, porque a Natureza me fez pequena e humilde.Vivo fixada á superfície da terra e não posso buscar o azul do céu, nem voltar o rosto para o sol, como fazem as rosas!

A rosa escutou o que disse a violeta e agitou-se, sorrindo;logo depois disse:

- Como tola és tu, entre as pequenas flores! Recebeste favores cujo valor não sabes avaliar.A ti a Natureza doou bondade,graça e beleza, quando tantas outras florezinhas não foram assim agraciadas. Deixa essa tua atitude inconveniente e os maus desejos, e fica satisfeita com o que a ti foi destinado. Deves ainda saber que aquele que age com moderação se eleva, enquanto o ambiciosa cai nas malhas da penuria.

Em resposta, a violeta disse:

- Tu me consolas, oh! rosa, porque te encontras na situação a que eu aspiro, e me cobres de adágios por seres grandiosa…Como amarga o coração dos infelizes a prédica dos felizes, e como se torna cruel o forte que se levanta em meio aos fracos, como orador!

* * *

A Natureza ouviu a conversa entre a rosa e a violeta e, admirada, agitou-se. Depois, disse em voz alta:

- O que está acontecendo contigo, oh! violeta, filha minha? Eu te conheci delicada, na modéstia, suave,na pequenez e honesta, na simplicidade. Caiste no engodo das ambições funestas ou a vulgar superioridade qye te roubou a prudência?

Com voz a inspirar compaixão, cheia de súplica, a violeta respondeu:

- Oh! Mão majestosamente poderosa e maravilhosamente adorável! Com toda humildade, do mais profundo do meu coração e com a alma cheia de esperança , eu vos peço , que me concedais a graça de ser rosa ao menos por um dia!

Disse a Natureza:

- Tu não sabes o que pedes e ignoras as desgraças que se escondem atrás da aparente grandeza. Se eu tornar mais alta a tua estatura e modificar tua forma, fazendo de ti uma rosa , então tu te arrependerás - quando nada mais te valer o arrepdendimento tardio.

A violeta disse:

-Transformai o meu ser, de violeta para uma rosa altaneira, de grande estatura, e depois , o que acontecer será a conseqüência de meus próprios desejos e ambições.

De novo falou a Natureza :

- O teu pedido será atendido , oh! tola e rebelde violeta! Mas , se fores colhida pelo infortúnio ou desgraça , deverás então queixar-se de ti mesma.

A Natureza estendeu os seus dedos invisíveis e fascinantes , tocou, de leve, as fibras da violeta , e eis que ela se transformou numa belíssima rosa, elevando-se bem alto, acima de todas as florzinhas e vegetais aromáticas.

Neste mesmo dia , ao anoitecer, nuvens negras cobriram todo céu. Trovões e relâmpagos se sucediam . Os elementos enfurecidos começaram a atacar os jardins e hortas com sua hoste de chuva e vento.

Partiam-se galhos , as plantas se inclinavam , as flores mais altas se despedaçavam ao vento. Só restaram as pequenas vegetações que alcatifavam o solo ou se escondiam entre as pedras.

E nenhum outro jardim sofreu tanto quanto este o embate dos elementos .

O vendaval passou, as nuvens se dissiparam , quando já todas as flores jaziam no chão , dilaceradas em mil pedaços . Nessa terrível batalha ninguém logrou escapar, a não ser as violetas escondidas junto ao muro do jardim.

* * *

Uma das meninas-violeta levantou a cabecinha e viu o que havia acontecido ‘as flores e aves do jardim ; sorriu com alegria e chamou as suas companheiras dizendo :

- Vejam o dano que a tempestade causou às flores que se elevavam , sombranceiras e vaidosas.

E disse a outra violeta:

- Nós nos fixamos à superfície da terra, mas estamos a salvo da cólera dos vendavais.

E a terceira violeta disse :

- Somos humildes de corpo, todavia nem os ciclones nos vencem!

Então a rainha das violetas olhou e viu , próximo , a rosa que ainda ontem havia sido violeta, despedaçada pela chuva e pelo vento que, dispersando suas pétalas jogou-a sobre a erva molhada , qual vítima colhida por flecha inimiga.

A rainha das violetas ergueu sua estatura , estendeu suas folhinhas e conclamou suas companheiras , dizendo :

- Vejam e reflitam , minhas filhinhas! Olhem a violeta que, colhida pela ambição se transformou em rosa para elevar-se por uma hora , e depois cair por terra. Que este espetáculo sirva de exemplo para todas vocês.

Então a rosa agonizante estremeceu , reuniu suas últimas forças e , com voz interrompida, disse:

- Escutem, oh! néscias condescendentes, temerosas de furacões e procelas! Ontem eu era igual a vocês. Com as minhas folhinhas verdes, permanecia sentada , contente com o que me foi designado; e tal contentamento era como fortíssima e inexpugnável barreira que me afastava dos ciclones e tormentas da vida, conservando-me em segurança , entregue ao repouso , longe de perturbações.

“Era-me possível viver como vocês, grudada à superfície da terra até que me visse coberta pelas neves do inverno , mergulhando-me assim na tranquilidade da morte sem algo conhecer dos segredos da existência e seus mistérios além do que conheceram as violetas desde quando surgiram na face da Terra. Eu também poderia me afastar das ambições e não aprender aquilo que, por sua natureza, superasse a minha.

“Todavia, na quietude da noite , atenta, escutei o Mundo Superior dizendo ao mundo o seguinte : “O OBJETIVO DA EXISTÊNCIA É ASPIRAR ALÉM DA PRÓPRIA EXISTÊNCIA”. Então minha alma se rebelou contra si mesma e meu ser começou a adorar posições mais altas. E tanto me rebelei contra mim mesma , desejando o que não tinha, que minha rebeldia se tornou uma força poderosa e o meu desejo transformou-se em vontade criadora: então pedi à Natureza, e a Natureza é o aspecto exterior dos nossos próprios e invisíveis sonhos, que ela me transformasse em rosa, e ela o fez. E mui frequentemente a Natureza altera figuras e imagens devidas a inclinações e desejos!”

A rosa fez silêncio por um momento, e depois acrescentou, num tom cheio de altivez e recordação:

- Passei uma hora como rosa. Vivi uma hora como se fosse rainha. Já contemplei o mundo com olhos de rosa, ouvi o ciciar dos ventos com ouvidos de rosa e torquei carícias com os raios luminosos com folhas de rosa. Entre vocês, alguma pode acaso se atribuir tal honra?

Logo após inclinou a cabeça e, com voz quase anelante, pôs-se a dizer:

- Morro agora, mas minha alma encerra o que nunca, anteriormente, conteve a alma de outra violeta. Morro sabendo o que se encontra além do acanhado espaço em que nasci: eis o objetivo da vida, eis a essência existente atrás da trivialidade dos dias e das noites.

Então as folhinhas da rosa se contorceram e ela, estremecendo, morreu; esboçou-se-lhe no rosto um sorriso sublime; sorriso daquela cujas aspirações a vida efetivou; sorriso de vitória e triunfo; triunfo de Deus.

A violeta pretensiosa

Num jardim isolado, achava-se uma violeta bela e perfumada, que sempre viveu prazeirosa no meio de suas colegas, balançando-se livremente entre os caules das ervas.

Certa manhã, coroada pelo sereno, levantou a cabecinha e olhou em derredor: viu uma rosa que se elevava ao alto, talhe esbelto, cabeça erguida e orgulhosa, lembrando uma pequena flama de fogo sobre um candeeiro esmeraldino.

A violeta abriu então sua boquinha azulada e disse, suspirando:

- Como é inditosa a minha sorte entre as ervas aromáticas, e como modesta é a minha situação entre as florezinhas, porque a Natureza me fez pequena e humilde.Vivo fixada á superfície da terra e não posso buscar o azul do céu, nem voltar o rosto para o sol, como fazem as rosas!

A rosa escutou o que disse a violeta e agitou-se, sorrindo;logo depois disse:

- Como tola és tu, entre as pequenas flores! Recebeste favores cujo valor não sabes avaliar.A ti a Natureza doou bondade,graça e beleza, quando tantas outras florezinhas não foram assim agraciadas. Deixa essa tua atitude inconveniente e os maus desejos, e fica satisfeita com o que a ti foi destinado. Deves ainda saber que aquele que age com moderação se eleva, enquanto o ambiciosa cai nas malhas da penuria.

Em resposta, a violeta disse:

- Tu me consolas, oh! rosa, porque te encontras na situação a que eu aspiro, e me cobres de adágios por seres grandiosa…Como amarga o coração dos infelizes a prédica dos felizes, e como se torna cruel o forte que se levanta em meio aos fracos, como orador!

* * *

A Natureza ouviu a conversa entre a rosa e a violeta e, admirada, agitou-se. Depois, disse em voz alta:

- O que está acontecendo contigo, oh! violeta, filha minha? Eu te conheci delicada, na modéstia, suave,na pequenez e honesta, na simplicidade. Caiste no engodo das ambições funestas ou a vulgar superioridade qye te roubou a prudência?

Com voz a inspirar compaixão, cheia de súplica, a violeta respondeu:

- Oh! Mão majestosamente poderosa e maravilhosamente adorável! Com toda humildade, do mais profundo do meu coração e com a alma cheia de esperança , eu vos peço , que me concedais a graça de ser rosa ao menos por um dia!

Disse a Natureza:

- Tu não sabes o que pedes e ignoras as desgraças que se escondem atrás da aparente grandeza. Se eu tornar mais alta a tua estatura e modificar tua forma, fazendo de ti uma rosa , então tu te arrependerás - quando nada mais te valer o arrepdendimento tardio.

A violeta disse:

-Transformai o meu ser, de violeta para uma rosa altaneira, de grande estatura, e depois , o que acontecer será a conseqüência de meus próprios desejos e ambições.

De novo falou a Natureza :

- O teu pedido será atendido , oh! tola e rebelde violeta! Mas , se fores colhida pelo infortúnio ou desgraça , deverás então queixar-se de ti mesma.

A Natureza estendeu os seus dedos invisíveis e fascinantes , tocou, de leve, as fibras da violeta , e eis que ela se transformou numa belíssima rosa, elevando-se bem alto, acima de todas as florzinhas e vegetais aromáticas.

Neste mesmo dia , ao anoitecer, nuvens negras cobriram todo céu. Trovões e relâmpagos se sucediam . Os elementos enfurecidos começaram a atacar os jardins e hortas com sua hoste de chuva e vento.

Partiam-se galhos , as plantas se inclinavam , as flores mais altas se despedaçavam ao vento. Só restaram as pequenas vegetações que alcatifavam o solo ou se escondiam entre as pedras.

E nenhum outro jardim sofreu tanto quanto este o embate dos elementos .

O vendaval passou, as nuvens se dissiparam , quando já todas as flores jaziam no chão , dilaceradas em mil pedaços . Nessa terrível batalha ninguém logrou escapar, a não ser as violetas escondidas junto ao muro do jardim.

* * *

Uma das meninas-violeta levantou a cabecinha e viu o que havia acontecido ‘as flores e aves do jardim ; sorriu com alegria e chamou as suas companheiras dizendo :

- Vejam o dano que a tempestade causou às flores que se elevavam , sombranceiras e vaidosas.

E disse a outra violeta:

- Nós nos fixamos à superfície da terra, mas estamos a salvo da cólera dos vendavais.

E a terceira violeta disse :

- Somos humildes de corpo, todavia nem os ciclones nos vencem!

Então a rainha das violetas olhou e viu , próximo , a rosa que ainda ontem havia sido violeta, despedaçada pela chuva e pelo vento que, dispersando suas pétalas jogou-a sobre a erva molhada , qual vítima colhida por flecha inimiga.

A rainha das violetas ergueu sua estatura , estendeu suas folhinhas e conclamou suas companheiras , dizendo :

- Vejam e reflitam , minhas filhinhas! Olhem a violeta que, colhida pela ambição se transformou em rosa para elevar-se por uma hora , e depois cair por terra. Que este espetáculo sirva de exemplo para todas vocês.

Então a rosa agonizante estremeceu , reuniu suas últimas forças e , com voz interrompida, disse:

- Escutem, oh! néscias condescendentes, temerosas de furacões e procelas! Ontem eu era igual a vocês. Com as minhas folhinhas verdes, permanecia sentada , contente com o que me foi designado; e tal contentamento era como fortíssima e inexpugnável barreira que me afastava dos ciclones e tormentas da vida, conservando-me em segurança , entregue ao repouso , longe de perturbações.

“Era-me possível viver como vocês, grudada à superfície da terra até que me visse coberta pelas neves do inverno , mergulhando-me assim na tranquilidade da morte sem algo conhecer dos segredos da existência e seus mistérios além do que conheceram as violetas desde quando surgiram na face da Terra. Eu também poderia me afastar das ambições e não aprender aquilo que, por sua natureza, superasse a minha.

“Todavia, na quietude da noite , atenta, escutei o Mundo Superior dizendo ao mundo o seguinte : “O OBJETIVO DA EXISTÊNCIA É ASPIRAR ALÉM DA PRÓPRIA EXISTÊNCIA”. Então minha alma se rebelou contra si mesma e meu ser começou a adorar posições mais altas. E tanto me rebelei contra mim mesma , desejando o que não tinha, que minha rebeldia se tornou uma força poderosa e o meu desejo transformou-se em vontade criadora: então pedi à Natureza, e a Natureza é o aspecto exterior dos nossos próprios e invisíveis sonhos, que ela me transformasse em rosa, e ela o fez. E mui frequentemente a Natureza altera figuras e imagens devidas a inclinações e desejos!”

A rosa fez silêncio por um momento, e depois acrescentou, num tom cheio de altivez e recordação:

- Passei uma hora como rosa. Vivi uma hora como se fosse rainha. Já contemplei o mundo com olhos de rosa, ouvi o ciciar dos ventos com ouvidos de rosa e torquei carícias com os raios luminosos com folhas de rosa. Entre vocês, alguma pode acaso se atribuir tal honra?

Logo após inclinou a cabeça e, com voz quase anelante, pôs-se a dizer:

- Morro agora, mas minha alma encerra o que nunca, anteriormente, conteve a alma de outra violeta. Morro sabendo o que se encontra além do acanhado espaço em que nasci: eis o objetivo da vida, eis a essência existente atrás da trivialidade dos dias e das noites.

Então as folhinhas da rosa se contorceram e ela, estremecendo, morreu; esboçou-se-lhe no rosto um sorriso sublime; sorriso daquela cujas aspirações a vida efetivou; sorriso de vitória e triunfo; triunfo de Deus.

Gibran Khalil Gibran

Alguns livros editados em Portugal:
O Profeta
O Louco
O Vagabundo
Entre a Noite e a Manhã
Segredos do Coração
Espelhos da Alma
A Voz do Mestre
O Jardim do Profeta
Espírito Rebelde
Asas Quebradas
Lágrimas e Risos
Cartas de Amor do Profeta


Grande poeta e pintor! Um dos mus favoritos!

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