Diário de Kaká

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Diário de Kaká

Mensagem por Sam em Seg Mar 10, 2008 6:52 am

Hoje eu quero partilhar de um sentimento...

Muito diferente, de tudo que já sentir, vivi,

presenciei, por este mundo afora...

Até mesmo esta, ou aquela guerra,

em que são demonstrações de força e poder...

Acho que o poder maior, é a união das famílias...

É o respeito para com qualquer ser...

Nesta minha caminhada, eu já vivi de tudo!

Passei por tudo!

Tudo que uma pessoa da minha idade não pensou em viver, eu já vivi.

Eu não posso e não tenho com quem dividir tanta dor...

Às vezes burlo a tristeza e dou umas risadas,

do contrario, seria inviável ter algumas ilusões,

ou até mesmo fantasiar, algo bom.

Para poder ter o direito de sorrir...

Jamais quero julgar alguém, mesmo porque,

somos postos a prova cada instante de nossas vidas...

Não sei se posso falar, nem mesmo para vocês o que sinto neste momento...

Por mais que tento esquecer um passado, então surgem datas,

e logo volto lá atrás...

Às vezes como hoje a sinceridade, pode nos afastar,

porque esta sociedade, vive de valores, e eu posso compreender!

Sem algumas coisas básicas, nossa vidas torna-se mais difícil...

Neste entre meio, apesar de tudo,

tento encontrar ou chegar perto daquela luz que esta lá adiante,

Mesmo porque não quero ficar para trás...

Acho que lá está a solução,

o caminhar em busca dos nossos sonhos e ideais...

E jamais desistir...

Eu queria poder fazer compreender às cabeças dos homens...

Entrar bem dentro do ser interior,

e dizer para cada um, não magoe, não exclua, não fira, preserve!

Cuide de seu maior tesouro, que é sua famílias...

Não exponha ao ridículo, respeite-os, pois você terá neles o aconchego,

apoio e carinho... nossos entes, espera que sejamos dignos para continuarem,

uma estrada de dignidade e seriedade...

Hoje vivemos numa democracia,

que nos da o direito de exercer nossa cidadania,

e de sermos o que quisermos...



Nunca me esquecerei, de um castigo que me fora dado,

para que, nunca mais eu pudesse errar...

Fui colocada de castigo amarrada pelos pés, de cabeça para baixo,

fiquei lá pendurada durante horas, por ter comido um pedaço de tijolo...

Quando chove e o chão de terra batida,

levanta um cheiro delicioso... o cheiro da natureza...

E quando minha família ficou sabendo disso, recebi este castigo e tive que

comer, todo um prato cheio de lama para que nunca mais pudesse repetir isso.



Isto ficou em mim como uma ferida,

não é uma daquelas historias que com o tempo torna-se engraçada...

O tempo encaregou-se de torna-la um conto...

Como às traquinagem de crianças,

que com o passar do tempo vira casos deliciosos de se ouvir...



Entre outras, foram muitas...

Hoje me rende belos monólogos...

Casos dramáticos, procuro enxergar por este lado...

Sem que percebam que fatos cênicos,

introduzidos nas cenas dramáticas fazem parte da minha vida...



Hoje não lamento essas coisas,

pois aprendi que se desviar tudo isso para a dramaturgia,

faria de mim, sem ter que ir muito longe,

ou pesquisar vidas de outras pessoas,

assim canalizei visualizei e em cena,

procuro mostrar o melhor de uma historia nada belo...



De quebra para aliviar toda esta imagem depreciadora, entrei no mundo,

das paixões poéticas de Carlos Drummond De Andrade,

mundo este que, me fascinava...

Por tantas paixões, um mundo mágico...



Apesar de tantas liberações, ainda sonho em ver um mundo onde famílias se

respeitam, se acolhem e caminham lado-a lado em qualquer situação...

E por mais difícil que seja a jornada, estarão todos juntos.



Queria poder enxergar nas pessoas, nos momentos de aflição,

que teriam um ombro, para se apoiar e colo para quando precisar...

No entanto...

Eu não sei o que pensar, nem como agir, quando oferecemos,

alguns se afastam em vez de aceitar...



Estou num dilema, embora depois de viver tantas experiências,

já devia saber que este mundo esta realmente,

muito diferente dos meus sonho e ideais...

Mas, ainda desejo que, assim como a minha às dos outros,

( FAMÍLIAS ) magoem-se menos, mantenham-se unidos,

para não debandar, algo que jamais muda, por mais que diferente seja,

ou até mesmo possa parecer normal.

Há coisa que se mudar muito, acaba!

Exemplo, um certo tipo de sentimento que existe nas pessoas,

e que está desaparecendo, AMOR, COMPREENSÃO,

ou, os nossos saudoso, intimismo real e verdadeiro.



No fundo acabei não falando do que queria exatamente...

Parece não ter muita importância, afinal cada um, é cada um...

Ainda estou aprendendo a viver com esta sociedade,

de forma que, deixo prá lá...

O importante é tentarmos ser felizes,

fazer do nosso mundo um ambiente melhor para se viver.

Procurar entender às pessoas do jeito que elas são...

Assim cada um segue seu destino...

E a cada dia que passa seremos melhor,

um ser humano melhor, cada um, do seu jeito.



E não tenho porque me envergonhar...

Tudo que aconteceu, foram lições de vida,

não era essa exatamente a infância que desejei, porém foi a que tive...

E pude crescer com valores que eu mesma idealizei,

fui observando pessoas de boa índole,

com comportamentos exemplares...

Fui visualizando só às coisas boas....

Sempre procurei nunca ficar,

ou está perto de problemas dos quais eu não conseguiria sair...

Procurava sempre lembrar que eu era sozinha,

e se eu me metesse em confusão, não iria aparecer ninguém para salvar-me...

E assim fui caminhando, tomando sempre o devido cuidado,

para não me machucar.



No dia em que minha primeira filha faleceu,

Tive que correr tanto, de um lado para o outro, nem tempo de chorar eu

tive...

Um ano depois do falecimento dela eu sofri um acidente, fiquei em coma por

um

mês, neste meio termo quando voltei do coma, foi então que pude chorar...

Eu estava finalmente com tempo para pensar em tudo que aconteceu...

Então chorei, às coisas que havia deixado para trás,

a morte do meu bebe e meu acidente...



E querem saber, depois de tudo isso fui dada como morta...

Os jornais da época noticiaram minha morte...

Minha família pensando que de onde eu estava,

meus amigos tomariam às devidas providencias...

Só que, ambas, às partes, acreditaram na mesma versão...

E eu fiquei sozinha...

Certa noite, cansada, daquele hospital, pedi alta por conta e risco...

Ninguém me visitava, nada acontecia...



Então voltei para São Paulo de carona...

Quase matei alguns amigos de susto...

Com o rosto ainda inchado, cheio de cicatriz, e 7 costelas quebradas...

Sabe, essa historia eu acho engraçada,

não a parte da minha filha, mas, a do acidente e coisa e tal...

Porque tudo isso fez parte do meu crescimento,

nada convencional, para muitos, mas, aprendi até mais do que seria viável,

pela às oportunidade que quase não tive...



Lembro-me, também que meu pai disse...

Madrinha cuide dela que volto em uma semana para busca-la,

ele só não disse que semana seria, e de que ano...

Esta semana ainda não chegou... estou esperando.



Ela sou eu! O personagem da historia, que fora esquecida, lá...

Quem sabe ele chegará no dia prometido...

É que a semana que vem ainda não chegou...

Afinal de contas isso foi a 40 anos atrás...

Ainda sou aquela criança que ele prometeu, buscar-me...

Sabe como é prometer coisas para crianças né?

Nunca esquece, e eu não cresci, para não esquecer.

KaKá Ueno

Sam

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