Diário de Maria Cristina Moreira Safadi

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Diário de Maria Cristina Moreira Safadi

Mensagem por Sam em Seg Mar 10, 2008 6:16 am

Enigma

A noite estava clara e quente. Noite propícia a fitar o céu, em toda sua grandiosidade. Noite propícia para se refletir. Pensar o sentido da vida, amar nossas dificuldades, pois nos levam a lutar, buscar forças supremas que nem mesmo conhecemos a intensidade.

Dúvidas e mais dúvidas povoam a mente. Muito mais, alojam-se no coração. Enigmas que se apresentam e que concorrem para o pensamento que corre solto.

Por que? Seria o prenúncio de tudo, a presença do enigma que se divide e por vezes maltrata a alma humana? O homem pensa, sonha e faz projetos. Único ser habitante deste planeta capaz de fazê-lo. E pela vida vai perguntando o porquê de tudo. Como se fosse capaz de entender as surpresas à sua volta.

A luz no escuro azul do céu me convida a sorrir. Mas, hoje. Outros dias este mesmo convite me levou às lágrimas. Sim, tem que existir um fio condutor responsável pelo desencadeamento de emoções e reações. No entanto, não consigo perceber. Sei apenas que hoje sorrio.

E a noite vai passando e eu... Refletindo no meu canto. A luz da manhã entra por entre as cortinas, saudando-me com cristalina alegria. Meu coração entra em festa por um novo dia que se anuncia. É o milagre da renovação que Deus opera para todos nós, criaturas humanas. Aceita-se isto como a um presente qualquer. Mas... Que mar de dúvidas penetra no ser, ao se desejar entender o ciclo da vida? E este mesmo ciclo entra dentro de cada um de nós, determinando os momentos vividos. Pérolas que jamais poderemos recuperar. Aquela fração tão ínfima e tão grandiosa! Parcela de nossa história que nunca mais se repetirá!

O enigma da vida... Nisto encerra toda a dúvida do viver. Saber-se pertencente a um todo... Quando não se entende nem a ínfima parte de si mesmo. Isto me atrai e me fascina. Projeta-me a um mundo distante, à terra do tudo e do nada. Onde andaria em círculos, buscando o velho tesouro, respostas escondidas na imensidão do espaço.

Meus olhos vagueiam pelos dias que virão, incertos. Nisto está a delícia de se saber merecedora de um futuro completamente desconhecido. Futuro repleto de sonhos do presente. É apenas isto que se pode fazer com este futuro. Preenchê-lo com nossos anseios, nada mais. Não importa o que se está para viver. Enigma do desconhecido, alma humana que corre atrás do que ainda não existe. Apenas sonhar, sonhar... E esperar.

E quanto ao passado? Fala-se tanto do futuro, quando nem mesmo o passado se entende. Lembranças que ficaram para trás. Recordações que definem o estado da alma humana. São como marcas profundas, resultado de vividas emoções. Fazem parte de nossa personalidade. Mas, pobre de nós, nem isto compreendemos. A complexidade de nossa estrutura humana, enigma de nossa existência.

Resta então se pensar no presente. Momento atual que inspira cuidado. Não se pode errar, ao menos não se deseja. Mas o presente escapa para imediatamente fazer parte do passado. Momentos presentes que mergulham nos sulcos de nossa alma, para novamente se enveredar pelo enigma.

Passos firmes, olhos na estrada, vai-se então adiante. Afasta-se as pedras do caminho. Tenta-se entender este caminho, tenta-se aprofundar nos atalhos que surgem, tenta-se descobrir o mistério a nossa volta. Mas... Mais uma vez cai-se no vazio.

Chega-se então a total entrega, em que apenas se vive, a vida de cada um, a vida com sonhos e dúvidas. Aceitando o inevitável. Sempre se estará procurando, procurando... Tendo a frente, o enigma da própria existência.

Sam

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